
Neste segundo dia de formação, decidimos fazer o caminho pela avenida marginal, número 41 - "Kalkofnsvegur" ("vegur" significa rua/estrada) de Reiquiavique. Voltamos a sair cedo, pelas 8h e 15, pois o percurso era mais longo e durava cerca 27 minutos. Para além da via por onde circulam os veículos motorizados, existem duas vias junto ao mar, uma para os peões, outra para ciclistas e para as trotinetes elétricas, que existem por toda a cidade, funcionando com cartão visa ou multibanco. De vez em quando, éramos surpreendidas por locais que circulavam a grande velocidade, nestas "geringonças" que não tivemos tempo de experimentar.
Aqui, admiramos a parte moderna da cidade, com edifícios de vidro, que albergam sedes de empresas, escritórios, hotéis, ou mesmo prédios de apartamentos. Do outro lado, vislumbramos os montes da ilha "Vedey" que tem apenas uma casa, um restaurante, uma igreja e a Torre "Imagine a Paz" ou "Imagine Peace Tower", um memorial a John Lennon, inaugurado a 9 de Outubro de 2007. A obra de Yoko Ono, a viúva do falecido "Beatle", é ainda um monumento-símbolo à paz mundial. O que aprendemos nestas viagens é de enorme riqueza!
Rua marginal e via para peões
Vista da ilha de Vedey
O dia de formação iniciou-se pelas 9h com uma atividade desafiante e muito divertida - o "Murshmallow challenge". Desta vez, estávamos divididos em três equipas e tínhamos que construir uma torre, o mais alta possível, em 18 minutos, com esparguetes, 1 metro de fio, 1 metro de fita cola e no topo teríamos que colocar o "murshmallow". O objetivo era que a torre se mantivesse segura e sem cair. Foi uma aventura, pois começamos sem qualquer expectativa, e até com algum desalento e dúvidas quanto ao sucesso, dado que considerava este desafio extremamente difícil. Não construímos a torre mais alta, mas a que se manteve mais tempo sem se derrubar. As equipas não competiram umas com as outras, antes pelo contrário cooperaram, riram, divertiram-se e superaram-se.
A ressistente
a mais alta
Das reflexões acerca deste desafio, vimos um TED em que se concluía que os alunos do ensino pré-escolar eram os que mais sucesso tinham no cumprimento desta tarefa que foi igualmente proposta a CEOs de empresas, a alunos universitários: "Tom Wujec: Build a tower, build a team", in https://www.ted.com/talks/tom_wujec_build_a_tower_build_a_team.
Depois de mais uma sessão de esclarecimentos sobre o projeto que tínhamos de desenvolver, voltamos aos nossos grupos de trabalho para o nosso "Business plan", com o enfoque no praticar para aprender, desenvolvendo as atividades como a criação do logotipo e do slogan, a escolha das ferramentas de trabalho, a designação dos parceiros, dos clientes, dos beneficiários.
Equipa "PPS" (Poland, Portugal and Spain)
Em seguida, o formador Angel Gallardo propôs-nos mais tarefas, como um "Role-Play". Assim, em grande grupo, e num espaço exterior, cada um escreveu uma frase em que apontasse um defeito/um problema seu, pedindo ajuda a um amigo. As frases foram escritas num papel, que depois foi dobrado e colocado no chão. Cada um de nós retirava um papel, colocava-se na "pele" do amigo "conselheiro" e dava a sua opinião para auxiliar aquela pessoa a resolver o "seu" problema. Esta é uma atividade interessante para aplicarmos nas nossas turmas, colocando os alunos no papel do outro, fazendo-os assumir com responsabilidade o papel de conselheiros.
"tenho um problema!"
Seguiu-se o nosso encontro com o formador Angel Gallardo, para cumprir a primeira parte das atividades do primeiro dia de formação "Let's know You!" - começando por um teste de inteligência emocional - "Empathy". Dialogamos sobre atividades de empreendedorismo, de sucesso pessoal e educativo, através da tomada de consciência de si e do outro. Foram ainda propostos questionários, atividades de resposta pessoal e rápida, de modo a testar a nossa capacidade de resposta imediata. Houve lugar a reflexões e ao diálogo para trabalhar a autoconsciência.
Nesta tarde, e porque o dia tem muitas horas de luz, fizemos duas atividades culturais.
Partir à descoberta da cidade e dos seus aspetos mais importantes foi também um desafio a que nos propusemos. Primeiro, fomos até ao "Perlan Museum" de Reiquiavique, e pelo caminho fizemos uma refeição rápida. Este é um dos "Highlihts" da cidade e um dos edifícios emblemáticos da capital islandesa, aberto em 1991, localizado no topo de um monte a 25m de altura. A cúpula de vidro, que alberga o Planetário, está assente sobre os tanques de água quente. O espaço verde envolvente é muito interessante e está muito bem cuidado.
Perlan Museum

Primeiro, no Planetário "Áróra" assistimos a um espetáculo audiovisual, em que descobrimos a origem e a história das auroras boreais na Islândia (as luzes do norte) o que não pudemos ver na realidade, dado que apenas existem 4h e meia de escuridão nesta altura do ano. De seguida, percorremos a exposição "Wonders of Iceland", quer a partir de vídeos espetaculares, quer através de recriações de paisagens da ilha, onde se apreciam espécies nativas como os bacalhaus, que também podemos ver no Museu Marítimo de Ílhavo, os "puffins" ou papagaios-do-mar, a raposa do ártico. Os dois momentos altos foram a visita à "caverna do gelo", reproduzida na perfeição dentro do museu, com os sons e as temperaturas que atingem os -15ºC. Pudemos ainda dar uma volta completa ao miradouro do topo, onde temos uma vista panorâmica de 360º sobre a cidade e, surpresa, pudemos avistar o vulcão "Fagradalsfjall" em atividade, abrindo-nos o "apetite" para uma expedição ao mesmo no dia seguinte.










Vista do vulcão Fagradalsfjall
E ainda cumprindo o plano do primeiro dia, no regresso do "Perlan Museum", fomos descobrir os outros pontos turísticos da cidade. Assim, passamos pelos seguintes locais, também designados os "Highlights" de Reiquiavique.
1. "Harpa Concert Hall", onde já tínhamos passado de manhã e que vimos mais detalhadamente, visitando um aparte do velho porto, outro espaço de interesse, onde se encontram as empresas de exploração turística do mar, como a "Walle watching", os passeios aos glaciares ou a visita ao local onde nidificam os "puffins" e ainda restaurantes de peixe fresco, lojas e sedes da indústria pesqueira. O Harpa é um edifício moderno, de arquitetura contemporânea, de um designer dinamarquês, descendente de islandeses. Apresenta uma fachada de vidro colorido, bastante interessante, inspirada na paisagem basáltica da ilha. Alberga uma sala de concertos e o centro de conferências da cidade. A sua construção foi iniciada em 2007 e o concerto de abertura foi realizado em maio de 2011.
2- "Sun Voyager"
Ainda na marginal da cidade, podemos contemplar uma escultura espetacular, em metal, do artista Jón Gunnar Árnason, inaugurada em 1990. Esta escultura é descrita como um barco dos sonhos ou uma ode ao sol, em homenagem aos primeiros vikings chegados à ilha. O artista pretendia transmitir um sonho de esperança, progresso e liberdade.

3. A"Höfði House" situa-se também na marginal, um pouco mais para este, e destaca-se por ser uma construção antiga num local marcado pelos edifícios modernos. Construída em 1009, foi inicialmente a residência do cônsul francês na Islândia e mais tarde de Einar Benediktsson, poeta e homem de negócios, que costumava receber vários artistas no salão de sua casa. Em 1958, a casa foi comprada e restaurada pela cidade de Reiquiavique. Este edifício está associado a um importante acontecimento, ocorrido em 1986. Trata-se do encontro entre o presidente russo Mikhail Gorbachev e o americano Ronald Reagan, por ser ser território neutro, e para dar início ao fim da Guerra Fria.
4. Voltando para o interior da cidade, fomos visitar o "Alþingishúsið" (A Casa do Parlamento). Trata-se de uma estrutura clássica do século XIX, projetada pelo arquiteto dinamarquês Ferdinand Meldahl, localizada na praça "Austurvöllur", no centro da cidade. Na parte traseira existe um jardim muito bem cuidado e na praça existem hotéis de luxo, bem como alguns restaurantes chiques, com esplanadas muito frequentadas. Ao lado, encontramos uma das primeiras catedrais de Reiquiavique, cuja construção data de 1847.
5. A "catedral -
Hallgrímskirkja" Também designada de Igreja de "Hallgrímur", trata-se de um templo luterano com uma altura de 74,5 metros. A sua construção foi iniciada em 1945 e foi inaugurada em 1986. O estilo arquitetónico é expressionista e o arquiteto é Guðjón Samúelsson. O desenho foi projetado para simbolizar montanhas e glaciares, que crescem através das colunas hexagonais de basalto. Do campanário podemos apreciar a cidade. O interior é um pouco austero, até frio, diferente dos templos que habitualmente visitamos. Outro aspeto curioso, este monumento vê-se de toda a cidade e parece-nos que todas as ruas vão dar a este local, relembrando o adágio "Todos os caminhos vão dar a Roma".
E depois de um brinde a este dia repleto de emoções, entre a formação e as descobertas da cidade, fomos apreciar, por volta da meia noite, o ocaso no local onde havíamos passado de manhã.
As tonalidades são incríveis e surpreendentemente belas! Ver o "sol da meia noite" foi uma extraordinária experiência!
A cidade ao fim do dia, por volta da meia noite
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